Domingo, 29 de Junho de 2008

Roma

 O corpo é uma pedra inerte na cama e os olhos fixam o tecto. Penso demais. “Pensas demais.” Mas o tecto é uma sucessão sólida e encadeada de muitos pontinhos negros de nada. Como se uma tela. Nela projecto as estórias: como são, como nunca foram, como eu queria que fossem. É nesta tela de negro que as utopias se personificam. “Encaixas perfeitamente no poema.” Passeio nessa tela. Voo. Para longe, para muito perto. Essa terra de mensagens escritas ao contrário e onde o contrário se realiza. Voo. Para longe. Para muito longe. Perto de mim.

O escuro é deliciosamente paradoxal. E os olhos que se fixam no tecto conseguem ver, no escuro, o espelho da cidade cujas muralhas levantei com as areias da praia, da memória. As palavras reflectem muito mais do que o que alguma vez conseguiremos alcançar.

música: Fado do Encontro - Tim & Mariza
publicado por MB às 00:07
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2 comentários:
De aeu a 29 de Junho de 2008 às 16:09
Oh colega! Que bom que é voar! Fá-lo enquanto as asas não ficam demasiado pesadas! Boa viagem!
AEu
De KI a 1 de Julho de 2008 às 12:42
Sempre delicioso ler-te. Revejo-me nos teus sentires muitas vezes.

Vai lá ver se gostas desta música e letra dos Filarmónica Gil.

Beijinho.

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© Marta Barbosa 2007

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