Sábado, 3 de Maio de 2008

Neófita

 

Do livro de crónicas que ainda não foi escrito.


As capas pretas deixam-me intimidada. Nada de pessoal com as capas pretas em questão, mas intimidam-me de uma forma ainda mais notória por não saber a panóplia de potenciais actos que levem a faltas de respeitos a mui nobres e sinceramente admirados seres.

Não sabia muito bem o caminho, tanto no sentido figurado, como no real da coisa. Mas já que andava meio perdida (no sentido figurado) e andava, não tinha um milimetro de cabelo a perder. Vamos a isso.

Contra todas as minhas expectativas encontrei o lugar à primeira. Sim, porque tudo o que for além da minha terra já é demais para a minha orientação espacial. O certo é que as capas negras me deixam intimidada, mas a falta delas no sitio combinado ainda me intimida mais.

Se o vento soprasse a jeito, eu, vara verde, teria caído. Tudo bem que não tinha que ter medo, mas tinha, não é? É como na maçonaria: e se damos um passo a mais? Que acontece? Oh Santinho de Beire!

Bem, lá foram chegando as intimidantes capas negras que se foram tornando, aos poucos, não-intimidantes. Dignas de respeito. Dignas de muito respeito por fazerem parte, não de uma instituição, mas da instituição, da Família.

Encaminhadas pelo Grão-Mestre para um mítico lugar, lá seguiram as capas negras e eu, claro, a observar tudo com mil olhos para não perder um segundo, um centímetro do que a vida me dava a conhecer naquela noite.

Para ver bem o estado nervosa da minha alma, nem fome tinha! Isso é uma coisa muito, muito rara... Mas que foi bom para ajudar a passar de forma harmoniosa o tempo de espera onde pude observar essa familia que começava a sentir, aos poucos, verdadeiramente minha. E foi bonito de ver, muito bonito. Era um desses cenários nos quais uma pessoa morreria de inveja se não estivesse dentro.

O ambiente do lugar era, no mínimo, bizarro, com seres exóticos a deambular pelos estreitíssimos corredores. Mas muito acolhedor, muito pessoal, muito das gentes. O lugar ideal para uma família!

E eu, uma estranha, ilustre desconhecida entre os presentes, vi a porta a abrir-se e a deixar-me entrar.

Há coisas que não se esquecem, certificados que não se apagam ou fragmentam com o tempo. Aprendi muitas coisas nessa noite: que me sei orientar por mapas, que “Lad Zapelin” é o nome de uma música, que uma família se pode vestir de negro para a alegria, que as capas negras não são necessariamente intimidantes.

Não sei se gostaram de mim, mas eu adorei as capas negras. Senti-me em casa. Neófita que sou, senti-me em casa.”

publicado por MB às 16:04
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5 comentários:
De Claúdia a 3 de Maio de 2008 às 20:46
Linda... é impossivel não gostarem de ti.

Afilhada do coração.
Ti goto muito.
Piccola!
De Marina a 6 de Maio de 2008 às 13:52
:) é por estas e por outras que adoro ler-te
E sublinho a pergunta da Lau: é possivel não gostar de ti? eu não acho que seja!
É que eu, que também acho que qualquer coisa fora das quatro paredes da minha casa é estranho (não da minha terra... das paredes da minha casa), encontrei aqui, nesta terrinha à beira-berço plantada uma familia e tu fazes parte dela!

Goxmuiti miuda


bj
De malaica a 9 de Maio de 2008 às 12:56
O desconhecido deixa-nos sempre amedrontados, ou com o pé a trás, mas nem sempre nos desiludimos quando vamos ao seu encontro.
Fiz uma pesquisa sobre a música "Há amores assim", queria ler a letra toda e acabei por vir parar ao teu cantinho. Desculpa-me se estou a invadir o teu espaço, mas já que aqui estava achei por bem deixar umas palavrinhas.
Talvez volte...
bjokitas***
De #3 a 9 de Maio de 2008 às 22:15
Tambem ja tive receio das capas negras, e, mesmo depois de ja ter envergado uma, continuo a te-lo...digamos que uma capa negra é sempre uma capa negra, algo que oculta sempre o desconhecido, algo respeitosamente intimidante, um nucleo necro-magnetico onde um simples olhar de canto de olho provoca o carburar de todo o tipo de pensamentos na massa cefálica do ser humano...Mas facto é que o destino provoca sempre intimidações...Um episodeo caricato da minha vida foi a minha paixao e ao mesmo tempo intimidação pela boina vermelha...amava aquela boina, o seu significado, o seu poder de sedução...mas temia mais que tudo o empenho que ela exigia, o horror que as suas historias transmitiam, e sobretudo (e que quase me levou aos portões do inferno...) a intensidade corporal que ela exigia...continua a ser um simbolo de amor platónico para mim, e dado que é platonico o medo que me possuia desvaneceu...mas deu lugar a um grande respeito!Como costumo dizer, não devemos ter medo de nada, mas sim encarar o desconhecido com respeito.
De Vasko a 18 de Maio de 2008 às 22:27
Gostei do epíteto Grão-Mestre, nunca mo tinham chamado ;)
O local era mítico, aliás todos os locais daquela noite o eram e o foram uma vez mais.
Tenho a certeza de que todas as tuas primas presentes gostaram de ti e de te conhecer, e só espero que tenhas gostado ao ponto de querer repetir e voltar.
São sempre momentos repletos d sentido para nós, para quem já acabou, está a acabar, vai a meio, ou vai a começar... Tenho muito orgulho em tudo isso, e e ter-te presente.

Nunca te esqueças disso.

Beijos de um dos teus padrinhos. O do Porto... ;)

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