Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

Momentos de parca lucidez - talvez não...

Hoje estou tipicamente melancólica. Assim… Aquela melancolia que é mais estranha do que a estranheza normal das gentes. Enfim, muito enfim… Não é que eu estivesse desesperadamente saudosa de tal estado, mas é que já achava que começava a tardar. Eu sou demasiado previsível para poder fugir à minha regra.

Tenho tentado a escrita como escape para esta situação completamente infundada. Tenho uns projectos em mãos que pouco seguram, mas tenho. Ando envolvida e atada aos papéis, aos teclados, às canetas, aos cadernos, ao meu quarto com vista para o meu mundo. E, deste modo, apeteceu-me partilhar umas quantas frases que me andam a bailar na cabeça, uns quantos fragmentos da memória dos mais e dos menos conhecidos. São pequenos recortes de amor à escrita… Pequenos recortes de mim nos outros ou dos outros em mim…

 

Numa entrevista publicada no Tripeiro, Agustina Bessa-Luís diz:

Eu só queria escrever, entrar no coração das pessoas e beber-lhes o sangue (…). Há pouca gente que perceba que escrever é uma espécie de danação em que às vezes se tem encontros com Deus. (merci bien colego!)

 

No livro Pensar, Vergílio Ferreira diz:

Escrevo para criar um espaço habitável da minha necessidade, do que me oprime, do que é difícil e excessivo.

 

Num porvir misterioso, um Ilustre (Des)Conhecido diz:

Tudo o que escrevo é uma tentativa meticulosamente feita e frustrada de me conhecer, de me encontrar, de encontrar os outros (…). Rezo para que a escrita de hoje seja a cicuta que não me deixe acordar amanhã…

publicado por MB às 17:37
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6 comentários:
De KI a 2 de Julho de 2007 às 21:27
Escrever ah escrever... é uma terapia sim que pode ser de choque porquandop te relês, até podes achar ridículo a forma como te expuseste, como mostraste a tua alma, e resolve medos? ou apenas os denuncia? penso que nos confronta com eles e nos dá um caminho para que se resolvam, mas também faz com que os delineamos melhor; claro que nem sempre se é linear ou subtil, real ou imaginário e muito de nós se confunde com todos os nossos eus de momento.

Escrever é sabermo-nos ver na perspectiva que mais dói... com a alma.


Beijinhos e bons projectos
De Babs a 3 de Julho de 2007 às 18:23
So por curiosidade o que quer dizer 'ipsa ego'?
Bjs
(tenho vindo ler o teu blog, mas nao gosto muito de comentar...)
De Rui Barbosa a 6 de Julho de 2007 às 14:21
"Ipsa Ego"significa "Eu própria" ou "Eu mesma". É das poucas coisas que me posso orgulhar de saber depois de 2 anos de latim!
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 4 de Julho de 2007 às 01:55
Ora viva!

Já agora, um pouco de shakermaker dixit:
eu escrevo porque tenho um blog.

Pronto, era mesmo só isto.
A sério, não há qualquer outra razão.
Afinal, para que raio teria eu um blog se não fosse para escrever?!

Agora um pouco mais a sério (mas só um pouco):
escrevo porque gosto e porque, de certa forma, me dá prazer em perceber até que ponto pode chegar a minha imaginação. Ou a falta desta, claro está.

O que vale é que ninguém me perguntou nada, embora eu haja como se o tivessem feito... Apre!

Um abraço...
shakermaker
De nicas a 4 de Julho de 2007 às 13:57
"ao meu quarto com vista para o meu mundo", vista do teu mundo igual a muro do terraço

belas vistas!!!!
nao que as minhas sejam melhores...
De nicas a 5 de Julho de 2007 às 13:46
"que belas vistas e que belos ares"
in redacçoes da guidinha de luis de sttaut monteiro, capitulo do piquenique
vai lá ver... ou já te estás a lembrar!

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© Marta Barbosa 2007

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