Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

Alma - bússola doida

Hoje (e mais uma vez uso um deíctico) disse a uma pessoa (com quem tenho falado regularmente nos últimos tempos, porque assim a vida tem corrido) que há alturas no ano em que preciso de hibernar, mesmo em plena primavera, mesmo quando já não há frio, mesmo que o sol convide a correr nos campos (em busca de pampilos ou de outra coisa qualquer…)

Há alturas em que a alma se cansa um bocadinho do mundo, alturas em que alma sente uma falta especial de alguém, alturas em que as dúvidas cravejam a própria alma de agulhas afiadas, alturas em que a bússola se avaria e não sabemos para onde nos havemos de voltar. A típica figura do homem no meio da ponte que não sabe para que lado seguir… Mas isto é apenas umas questão de geografia, como dizia Vivian no filme Pretty Woman; e a profundidade do estado da alma é bem menos especifica do que aquilo que possam pensar quando me dizem: “Desabafa, sabes que estou aqui para te ouvir.” Porque o facto é que eu não sei o que se passa (para além da vontade maluca de hibernar, obviamente)! Eu sei que isto passa, passou das outras vezes, mas enquanto isto não desaparece e me deixa em paz, peço desculpa aos que me rodeiam por não corresponder a todas as expectativas que deveria superar.

Escrevi há uns dias um poema do qual gosto particularmente, por diversas razões, mas pela especial de ser uma espécie de resumo temático de um livro para o qual ainda não consegui encontrar as palavras que o possam justamente definir. O poema, “Eu, lembrando-me de ti”, diz a certa altura: o que nos une é o cansaço da vida restabelecido no regaço um do outro.

Porque a vida cansa muito, mesmo quando só se tem 17 anos, mesmo quando a maior preocupação é entrar na faculdade no Porto… Porque às vezes o tal “regaço” não se encontra sempre connosco de forma material… e por muito que dissermos que não nos faz falta, faz e muita…

E nesta linha de pensamento deixo-vos com a letra de uma música lindíssima que não conhecia até há bem pouco tempo (obras da Ana e do Nuno), uma melodia apurada para um tal trabalho de “ausências que nos ouvem”…

 

If I could be where you are

 

Where are you this moment?
only in my dreams.
You're missing, but you're always
a heartbeat from me.
I'm lost now without you,
I don't know where you are.
I keep watching, I keep hoping,
but time keeps us apart

Is there a way I can find you,
is there a sign I should know,
is there a road I could follow
to bring you back home?

Winter lies before me
now you're so far away.
In the darkness of my dreaming
the light of you will stay

If I could be close beside you
If I could be where you are
If I could reach out and touch you
and bring you back home
Is there a way I can find you
Is there a sign I should know
Is there a road I could follow
to bring you back home to me

Enya

 

publicado por MB às 18:12
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7 comentários:
De auctore sublato a 19 de Maio de 2007 às 13:59
moça, hello!
isso de queres hibernar e de nao teres os parafusos todos é de familia, eu tambem nao tenho as medidas todas bem medidas. mas sabes que sempre que quiseres hibernar vai ser complicado porque a bela da familia nao deixa...inclusivé eu! tem de ser porque quanto mais hibernas mais queres hibernar!!!
e isso de sentires falta de algumas pessoas, eu tambem sinto, algumas inclusivé algumas que ja partiram, que afectaram tanto a mim como a ti. momentos ainda não superados, e penso que nunca o serão! ainda me dói...
deixo te só uma questao no ar. de onde achas que veio o tema a ausência que nos ouve?
como podes ver somos mais parecidas do que aquilo que julgas! so que tu mostras fraquezas e eu faço me de forte...
De auctore sublato a 19 de Maio de 2007 às 14:05
by Ana Eusébio
De kituta a 19 de Maio de 2007 às 20:04
Olá linda!
Uma coisa que me faz confusão desde sempre é quando alguém fala dos seus problemas eu dizer que também os tenho. Sinto que ao fazer isso estou a tirar importância aos problemas dos outros, que me estou a "armar em coitadinha" e a desvalorizar os outros chamando a atenção para mim, sinto que não mereço dizer que tenho aquele problema porque toda a gente sofre mais do que eu e eu nem sequer me posso comparar, mas na verdade essa nunca foi a minha intenção, pelo contrário, partilhar problemas e preocupações faz sempre com que estes pareçam menores e, por isso, ao dizer "eu também me sinto assim" ou "isso também me acontece" penso que estou a ajudar alguém e a mim mesma ao mesmo tempo, porque, como disse, estamos a partilhar/minimizar preocupações...

Não me leves a mal mas às vezes sinto-me como tu, cansada...

Vais ser uma das pessoas que também me vai fazer falta...
Gosto muito de ti!
Beijinho


De AEu a 20 de Maio de 2007 às 00:17
Esta reflexão leva-me a uma outra:
- Porque pensamos nós?
- Porque vamos por caminhos mais complicados?
- Porque criamos situações e problemas que o demo tem dificuldade em descobrir?
- Porque sonhamos tanto?

E outras tantas interrogações que nos manteriam durante dias até à eternidade, a perguntar!

E a resposta também é simples:
- Porque alguns de nós, e eu considero-me incluído, não passamos somente pelo mundo, não estamos somente à espera, mas queremos tomar parte activa na sua construção e no seu desenvolvimento, e essa vontade inquieta, e desassossega.

- Porque não querermos ser apáticos nesta sociedade, e então além de nos inquietarmos também temos de descobrir formas de intervenção, e pequeninos como somos, sem o poder do poder, não é fácil, porque o desânimo toma conta de nós!
Este conflito de vontade e de capacidade (digo força) é causa de muitas das nossas guerras interiores, de insatisfação, de melancolia, daquela necessidade de “hibernar”…

Agora, tu não estás sozinha, mas criaste uma imagem e modelo de mundo, que só por mera coincidência é compatível com a imagem que tantos outros com as inquietudes próximas das tuas também criaram!

Se o teu círculo integrar seres próximos desta tua imagem, conseguirás ter muito mais harmonia no teu dia a dia! E a necessidade de hibernar será bem diferente!

Talvez um dia, nas minhas memórias registe algumas das minhas experiências que também passaram um pouco por esse teu estado de espírito, que vai e vem, que por vezes se mantém perto e por vezes anda longe.

Como sabes, não te digo que estou aqui para te escutar, porque nem sempre os colegas são os melhores conselheiros. Estarei aqui para o que der e vier, e apenas para o que tu quiseres.

Ao lembrares Enya , fui buscar o tema de Braveheart ”, e estou a ouvi-lo enquanto redijo estas letras. É uma lição de persistência, de vontade e coragem. Nem sempre podemos hibernar! Por vezes a ordem é para caminhar… caminhar… caminhar!
O mundo precisa de nós!!! Acordados e lúcidos, com uma visão muito grande...

Um beijo grande...
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 22 de Maio de 2007 às 00:34
Ora viva!

Sem tempo para muito mais...
Sendo assim, leitura actualizada.

Um abraço...
shakermaker
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 26 de Maio de 2007 às 23:55
Ora viva!

Sabe, não desmerecendo o seu cansaço, creio que se pode considerar uma mulher de sorte por ser ainda estudante. Sempre que lhe disserem que o pior está para vir, não julgue que é conversa de gente mais velha e pessimista. Daqui por dez anos, vai estar provavelmente dez vezes mais cansada do que está agora. E acredite, por mais que tenha vontade não vai poder hibernar nem sequer desaparecer. Sim, foi um comentário pouco optimista mas pareceu-me apropriado para este post. Felicidades!

Um abraço...
shakermaker
De KI a 27 de Maio de 2007 às 18:22
Acredita, gostei bastante de ler os teus textos, Estás numa fase excelente da vida, em que poucos balanços ainda fazes das viv~encias passadas e ten sum futuro fantástico para viver. A hibernação sabe bem, a distância disto e daquilo... um pouco de sossego, avaliar perspectivas e calibrar forças.

Um beijo MB, tudo de bom :)

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© Marta Barbosa 2007

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