Sábado, 17 de Março de 2007

"Confias no incerto amanhã?"

Acho que há alturas na nossa vida em que círculos se fecham de modo a sermos capazes de marcar o ponto a partir do qual vamos começar um novo. Toda a minha conjectura actual está, precisamente, a apontar-me o ponto de partida de uma nova etapa. Fim de período, fim de primeira etapa de projecto, aproximação da faculdade, novo passo nas relações humanas… um turbilhão de acontecimentos, de situações…

E eis que se impõe a questão, tão sabiamente formulada pelo maior poeta contemporâneo português – Nuno Júdice: “Confias no incerto amanhã?”

Seremos nós capazes de confiar em algo incerto, em algo que nos possa levar a um triângulo em vez de um círculo? Não que eu perceba alguma coisa de figuras geométricas ou matemáticas, mas são tantas (se calhar demais) as vezes em que não somos capazes de delinear uma curva perfeita. Se calhar somos nós, se calhar são os outros, se calhar somos nós e os outros que é o mais certo. E começo a afastar-me do ponto da questão: confiamos no incerto amanhã? Somos capazes de entregar o nosso monte de sonhos e esperanças ao futuro para que ele os aposte numa mesa de jogo?

Eu, lunática maníaco-depressiva, tento aprender a confiar. É importante que confiemos, cegamente, porque não vale a pena ter esperanças no passado e o presente é algo que vivemos neste preciso momento em que escrevo ou em que se fecha um círculo. O futuro está no futuro (expressão que confirma a minha auto-caracterização). As nossas esperanças têm que estar no futuro, no incerto amanhã que está sempre para além do dia seguinte.

Piamente juro aqui que, em virtude a semana que começa amanhã, eu vou confiar! Até porque é tudo o que eu posso fazer... Até porque o futuro está longe demais para podermos conhecer o amanhã… Até porque the show must go on, literalmente… Canta o Jorge Palma numa das mais bonitas músicas na nossa língua que “é bom arriscar o salto, planar, sentir de novo emoção. É bom sentir que a morte é falhar…” É bom sentir a adrenalina do desconhecido, confiar no incerto amanhã, viver a vida no presente e esperar no futuro.

 

 

 

Entrega-te ao efémero, a chama

Que nasce no breve brilho de um olhar.

 

 

E já agora, se lerem isto antes de 23 de Março (duvido que leiam, antes ou depois já me é indiferente!) e não tiverem mais nada para fazer, apareçam na Escola Secundária de Paredes pelas 21 horas, pois será levada a cena, pelo 12ºF, a peça “Confias no incerto amanhã?”

 

Irrisoriamente nada tem a ver com este blá blá blá todo…

(nova reiteração da auto-caracterização)

publicado por MB às 23:30
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2 comentários:
De kituta a 5 de Abril de 2007 às 16:41
Só tu para m chegar lá ao fundo. Parabéns!! lol... desta vez é por teres conseguido ler o que há muito tempo tinha cá dentro e que nunca ninguém conseguiu ler... Amei a peça... Foi do melhor... Fez-me pensar (coisa que faço raras vezes...) no futuro e acredita, doeu... Aí percebi porque não penso mais vezes, pelo menos tão concretamente. Dói mesmo cada vez que penso que o futuro raras vezes é como o imaginamos... Daí ser meu costume imaginar sempre tudo negro, s houver um bocadinho de cinza já me vai parecer azul e assim sabe melhor... Mas se não houver, em vez d aproveitar o azul de agora, ando a fazê-lo negro... Entretanto vou arriscando e permaneço no escuro... Mas de vez em quando já vou dando cor à minha vida como tu me aconselhas-te... Enfim, não vou estar para aqui a disparatar... Tu já sabes o que me vai na alma... beijinho
De AEu a 6 de Abril de 2007 às 23:51
A única forma de viver é fazê-lo em cada dia com a esperança de que é possível, e com o empenho para o tornar real. Parece confuso!? Mas não é! A nossa sociedade dos últimos 50 anos cresceu na falsa construção de que era possível ter algo para sempre... e em particular na vida profissional, sustentáculo económico para tudo o resto! A verdade é que todo este movimento deu frutos, e talvez uma ou duas gerações parece tê-lo conseguido! Mas essa que foi verdade, já não é verdade. Num contacto de parabéns a um colega, com 80 anos, e em que falávamos de instabilidade de emprego, ele dizia: "pois, no meu tempo tínhamos emprego para toda a vida!" Bonito, mas já era! Esta incerteza e instabilidade lança a mesma incerteza em todos os aspectos da nossa vida, e o amanhã é sempre incerto! Agora, confiar no amanhã, é uma exigência de sobrevivência! Mas esta confiança só faz sentido com o nosso empenho! Utilizando a linguagem cristã: Se Deus quiser... mas se eu não fizer nada, nada acontece também! Os desafios com que nos deparamos hoje, ou seja, em cada amanhã, são enormes, mas a nossa vontade de os ultrapassar tem que ser maior!
Força para a vida, força para o amanhã!
Beijinhos

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© Marta Barbosa 2007

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