Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Manual

A Marina escrevia, há uns dias atrás, na legenda de uma fotografia que “a felicidade tem, de facto, muitas formas”. Ainda não descobri muito bem a forma da minha, mas sei que a Marina e as pessoas da foto estão lá dentro. Descobri que todas as coisas têm muitas formas. A mentira que se esconde no afecto, a humilhação que se impõe no silêncio a que nos obrigam, a tristeza que sorri para dizer ao mundo que não é inferior. E o amor. Esse que tem forma de passado, tem forma de obelisco vandalizado, tem forma de peito aberto, tem forma de abraço. Esse que tem forma de fim, muitas vezes. Esse que tem forma de música. Tem forma de amigo, de irmão. Tem forma de nada e de tudo.

(Foi também a Marina que disse para eu continuar a escrever, mesmo que não fizesse nenhum sentido para os outros. Normalmente, as pessoas já não percebem o que escrevo. E as que percebem preferem fingir que não o fizeram. Atribuir importância às pessoas tem também muitas formas.)

Continua a haver muitas rosas selvagens a nascer por aí. O amor também tem forma de rosa selvagem e se calhar até a felicidade. Pelo menos aquela que nos é permitida. Provavelmente nem podemos pedir mais da vida, provavelmente nem o merecemos. Eu ando um bocado atordoada com a vida a girar na minha cabeça. Cabe-nos ter a coragem de conseguir decifrar as muitas formas de amor e de felicidade escondidas no que temos, ainda que seja pouco.

 

 

A Marina é a jovem lady que mora aqui. 

(muito obrigada ao Sr. Pianista por me ter apresentado a banda sonora do post)

 

música: Carinhoso - Marisa Monte
publicado por MB às 16:04
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1 comentário:
De Marina a 15 de Setembro de 2009 às 21:15
Emocionaste-me! :)
Obrigada por teres continuado a escrever... Faz muito sentido para mim!
Além disseo fazes, sem dúvida alguma, parte da parca felicidade que me restou quando os abrigos arderam e as fontes foram vandalizadas. E és uma parte muito importante dela!

Obrigada por tudo!
Goxmuiti
Bjus

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© Marta Barbosa 2007

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