Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

A dúvida do esquecimento que se lembra

“Afinal, é apenas um romance entre os romances, não tem que preocupar-se mais com introduzir nele o que nele já se encontra, porque livros destes, as ficções que contam, fazem-se, todos e todas, com uma continuada dúvida, com um afirmar reticente, sobretudo a inquietação de saber que nada é verdade e ser preciso fingir que o é, ao menos por um tempo, até não se poder resistir à evidência inapagável da mudança, então vai-se ao tempo que passou, que só ele é verdadeiramente tempo, e tenta-se reconstituir o momento que não soubemos reconhecer, que passava enquanto reconstituíamos outro, e assim por diante, momento após momento, todo o romance é isso, desespero, intento frustrado de que o passado não seja coisa definitivamente perdida. Só não se acabou ainda de averiguar se é o romance que impede o homem de esquecer-se, ou se é a impossibilidade do esquecimento que o leva a escrever romances.”

 

in História do Cerco de Lisboa

José Saramago

 

Reflexões deste meu novo e muito agradável “trabalho” de revisora.

 

música: Warwick Avenue - Duffy
publicado por MB às 19:10
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3 comentários:
De Marina a 14 de Julho de 2009 às 13:46
Para mim, o romance impede o homem de esquecer-se e ele escreve-o pela impossibilidade de esquecer...
De qualquer forma, senhora revisora, muitissimo obrigada por tudo.

Goxmuisi :)
De http://shakermaker.blogs.sapo.pt a 20 de Julho de 2009 às 18:34
Ora viva!

Nunca li este livro, embora esteja precisamente aqui atrás da minha cabeça (numa estante). O último que li do Saramago foi O Ano da Morte de Ricardo Reis. Muito bom! Quando era puto também queria ser revisor... Mas dos autocarros. A par de ter uma mercearia, foi mais um sonho que não concretizei.

Um abraço...
shakermaker
De MB a 20 de Julho de 2009 às 19:03
Hummm, engraçado, O Ano da Morte de Ricardo Reis está mesmo a seguir na estante para a próxima leitura saramaguiana :)

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© Marta Barbosa 2007

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