Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Memorandum

 

When I am alone When I’ve thrown off the weight of this crazy stone When I've lost all care for the things I own That's when I miss you, that's when I miss you, that's when I miss you ...


 

E esta noite foi igual. Àquela outra noite. Em que o sonho de mansinho te trouxe e te sentou na beira da cama onde durmo. Em antecipação da festa onde não posso erguer a taça.

Às vezes é engraçado, quase a roçar o ridículo da pequenez, o efeito que tem olharmos para o calendário e contarmos os dias que faltam para voltarmos a ser o que eramos antes de começarmos a contar os dias do que fomos. Há quem riscasse dias do calendário, se pudesse. Eu faria um calendário só com esses dias em que o meu sonho te trouxe à beira da cama onde durmo. Dos dias em que vi que os teus olhos verdes têm um bocadinho de castanho. Poderiam até ser azuis, pretos ou violeta, vermelhos, cinzentos. Desde que fossem os teus olhos que os meus vissem na beira da cama onde acordo.

Hoje também vens? Ou já desaprendeste o caminho que eu nunca soube, porque me habituei a ter os olhos como farol? É quando tentamos remediar as coisas que mais falhamos. Se começasse a riscar dias do calendário, não me restariam horas para que a memória te sentasse na beira da minha cama, quando sopro os sonhos para um vaso.

És canela e pêssego todas as vezes que fecho os olhos.


 


 

...You who are my home You who are my home And here is what I know now Here is what I know now Goes like this... In your love, my salvation lies In your love, my salvation lies In your love, my salvation lies In your love, my salvation lies In your love, my salvation lies In your love, my salvation lies In your love, my salvation lies In your love, in your love, in your love

música: Orange Sky - Alexi Murdochi
publicado por MB às 08:28
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2 comentários:
De Marina a 26 de Março de 2009 às 09:50
Simplesmente lindo...
Às vezes só a memória pode sentar-se à beira da nossa cama, vista pelos nossos olhos de saudade, saudade desses dias que se repetem para calendários mas não para homens. E resta o desejo de os rever, de os repetir...
Adorei o texto.

goxmuiti
bjus
De David Pereira a 26 de Março de 2009 às 15:25
Olá!
As tuas palavras são magníficas!
As memórias ficam sempre, sendo boas ou más. A sorte é que as memórias que eu tenho de ti são todas boas. Tenho ainda mais sorte por não ter que viver só com a tua memória e sim, poder ver-te!

Beijinhos

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© Marta Barbosa 2007

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