Sábado, 21 de Março de 2009

Lição

 

Aprendíamos a amar, aprendíamos a morrer


 

É no verão que se aprende a poesia,

disseste; e em cada um dos verões que a vida

nos traz, em que se aprende e desaprende

o mais certo, entre o amor e a morte,

que cada um tem que saber. No quintal,

onde já não existe a romãzeira da infância,

ouvindo o vento que sobe da terra, trazendo

um antigo furor de ervas e raízes; ou

no largo aberto para o tempo que foi,

e esse que há-de vir. Abro contigo o livro

branco de todos os lugares e de todos

os nomes: o livro da poesia, aprendida

com o desfolhar dos verões, enquanto

as mães se despedem da vida, e uma baça

adolescência se confunde com a névoa

de agosto. Leio devagar, como se

interpretasse, e um fogo embarcado

nos olhos enfunasse a mais obscura

das imaginações: o verso, aprendido

no leito da memória, no verão em

que se aprende a poesia, disseste.


 


 

Tributo de Nuno Júdice a Eugénio de Andrade


 


 

 

 

 

 

 

 

FELIZ DIA DA POESIA

publicado por MB às 11:27
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© Marta Barbosa 2007

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