Quarta-feira, 24 de Setembro de 2008

Nihil

 

É mesmo aí. Não é para mexer, que se deixe ficar o mundo no seu insano discernimento. Mexer para quê? É assim. Que seja.

Desta vez o campo é outro. A capa é diferente. Desta vez não há gritos. A tortura é outra. Desta vez não há. É mais por aí; mesmo aí. Não se mexe. Nada. Há um absoluto correr para o zero que torna tudo menos nítido. Do zero para o zero. Tiramos férias do nada para depois lá voltar.


 

desenlacemos as mãos


 

E ficamos por cá, na cidade de um futuro que se torna passado e futuro e futuro do passado. Há garrafas espalhadas pelo chão, a luz apagou-se e já não sabemos de onde bebemos. Batemos com a cabeça no muro das lamentações que criamos no quarto onde pusemos a mala vazia para depois podermos partir com as memórias. Essa mala tem uma bússola, mas não a sabemos ler. E depois? Onde é que fica o sótão onde tentamos pertencer?


 


 

É mesmo aí.

Onde não é para mexer, porque o mundo não nos deixa lá ficar com o nosso insano discernimento.

música: Canção de Embalar - José Afonso
publicado por MB às 00:15
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© Marta Barbosa 2007

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