Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Vertigem

 

Ainda não consegui perceber muito bem o porquê de andarmos todos para aqui, em vidas que escolhemos sem saber as razões. É redundante a minha dúvida e sinto-me uma criança de três anos (sem toda a parte boa de ter três anos, obviamente). Porquê? Porquê? Porquê?

Recorrentemente dizem-me que somos nós que complicamos o mundo, e eu continuo a achar que nós somos encaixados no labirinto da complicação e do caos do cosmos. E tudo isto é um bocado cruel. Porque se eu optar por uma teoria da predestinação, racionalmente, tenho que reconhecer um deus sádico. Se optar pela auto-determinação tenho que conceber um Homem paranóico e totalmente auto-mortificador. Será que andamos sozinhos neste mundo, ao sabor da nossa própria loucura?

Há dias em que me sinto um condutor em contra-mão na auto-estrada. Com a dúvida se serei eu que estou errada ou se são todos os outros. Não é que ser diferente me torne pior, mas faz-me sentir pior. Porque eu olho à volta e pergunto: porque não eu também?

A minha Mãe diz que eu complico o mundo. Eu acho, até, que sou muito simples. Provavelmente simples demais e choco com a complexidade do mundo, que não me consegue entender com os seus mapas barrocos e bacocos.

Onde pára o livre-arbitrio dos homens? E o Destino, é real? O estudo do final deste semestre está a deixar-me desesperadamente confusa, complicada, quem sabe. Provavelmente eu sou mesmo complicada, os homens escolhem em função dos seus desejos mais reais e intensos e o destino é um sádico que tem sociedade com a senhora da foice.

publicado por MB às 23:31
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1 comentário:
De aeu a 5 de Junho de 2008 às 17:53
Oh colega, que dizer de tanta desorientação? Todos estamos a caminhar... uns conseguem perceber melhor o mundo que outros, no entanto, outros é quem definem o mundo e fazem-nos crer que a visão deles é a correcta. Ora eu vejo que ainda ninguém percebeu o mundo, porque se isso acontecesse, dominava-o integralmente. Há um conjunto restrito de "divindades" que mandam no mundo, realmente! São as que têm poder! Os outros, que somos quase todos nós, podemos ler alguns sinais, aprender, e talvez tirar algumas ilações. Para além disso parece muito difícil, sem poder! É evidente que cada um de nós tem a liberdade de interpretar (pelo menos até agora) e caminhar no sentido que bem entender, mas não deixa de ser uma liberdade restrita e localizada. O mundo no seu todo, e o universo, está bem para além de nós, daí termos a grande necessidade de encontrar respostas, e quando não as temos, até dá jeito inventar algo divino. Mas nós somos apenas pequenos humanos, com uma grande caminhada pela frente, e quanto mais caminhamos, mais razões teremos para nos interrogarmos. Esse sim é o nosso destino... caminhar, aprender, interrogar, aprender....

Beijinhos e toma cuidado para não explodires no labirinto das interrogações...

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© Marta Barbosa 2007

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