Domingo, 21 de Outubro de 2007

Segundos Suspensos

Ao E., porque o barco negro dele parte, mas por muito que as loucas das velhas da praia digam, eu sei que “nem chegaste a partir”…

 

Dá-me a tua mão. Dá. Não te encolhas

na multidão dos olhares que nos mordem.

Entrelaça os teus dedos nos meus dedos.

Deixa que o tempo passe e leve a efemeridade

da vida, deixa que tudo à volta desvaneça. Deixa.

Olha o horizonte. Vê o universo. Vê.

Grava a cinzel, na memória, que os

segundos são esticados para eternidades

todas as vezes que a saudade puxa o fio

do coração. A marioneta do destino sabe

executar os movimentos que te levam para

mais perto. Mesmo quando o chão não é

o meu. Mesmo quando o sol que te desperta

não é o meu.

Porque eu gravei a cinzel, na memória,

o segundo esticado para eternidade: o segundo

em que me deste a mão e deixamos o

tempo passar, enquanto olhávamos

o horizonte. Aquele em que deixamos que

a marioneta do destino puxasse para a

realidade um novo cenário onde o teu

e o meu eram o nosso chão, eram

o nosso sol.

 

 

sinto-me: com saudades tuas
música: Barco Negro - Amália
publicado por MB às 22:36
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6 comentários:
De carlitasoares a 23 de Outubro de 2007 às 14:52
so à uma coisa a dizer lindo, eu chorei ao ler isto e tu sabes pk.
beijo
De kituta a 24 de Outubro de 2007 às 19:30
Também quero!... :'(

Parabéns ao "E."!

;P Beijinho
De André Campos a 25 de Outubro de 2007 às 00:20
''E depois de uma rocha, uma cruz
E o teu barco negro dançava na luz''

Recorda antes os momentos em que dançavam as palavras e rodopiavam as emoções. A única partida é a morte e mesmo essa é uma rocha.

Continua essa maravilhosa evolução na escrita.
De KI a 27 de Outubro de 2007 às 16:18
Porque há momentos eternos gravados como tatuagens em nós e q nos sorriem qd temos serenidade de os recordar. E entre um abraço e um beijo, deixo-te um sorriso e votos de sucesso nos teus estudos :)
De PC a 28 de Outubro de 2007 às 13:37
Lindo... estes pensamentos tocam-me profundamente até porque estou num momento da minha vida em precisava que alguem me escrevesse assim qualquer coisa... mas a verdade é que não há... enfim, é a realidade da vida não é?
De KI a 2 de Novembro de 2007 às 19:08
As palavras teimam
em sair mesmo quando a alma nos implora silêncio e enquanto o canto dos
instantes é triste , esvoaça a alegria como o tempo entre nós...

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© Marta Barbosa 2007

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