Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010
uma respiração de ombros

emprestas-me o ombro? O teu ombro? Nem sempre gostamos mais das perguntas, mas são mais fáceis de encontrar do que as respostas. Não é por estar cansada, é por gostar dele. Deles. Empresta-me os dois

Stay with me
Let’s just breathe

não é por estar cansada, mas era para te dizer, sem o fazer, que gosto de ti. E de ti, e de ti, e de ti também. As palavras, às vezes, cansam. Não é por estar cansada, é só para que não te esqueças. Nem sempre gostamos das perguntas, mas são mais fáceis de encontrar do que as respostas

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?

empresta-me os dois e o pescoço, que eu penduro-me com os braços e respiro ao teu ouvido. Para ouvires as perguntas que são mais fáceis do que as respostas. E as respostas que as perguntas te dão, são mais fáceis de encontrar no teu ombro. Emprestas-mo?

 

Oh, if I didn’t now I’m a fool you see
No one knows this more than me

 

às vezes perdemos oportunidades por falar. Empresta-me o ombro que te invadi noutro dia e eu prometo que fico em silêncio a respirar-te ao ouvido as respostas que encontrei com o mapa que me deste

 

 


música: Just Breathe - Pearl Jam

publicado por MB às 00:49
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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
Musa

Provo nos teus lábios um pólen

de borboleta, húmido da noite,

com a cor do mel que vem do amor,

e um veludo de asa no centro da flor.

 

Deram-me os teus olhos rosas

e estrelas, como se no teu rosto

um jardim celeste se abrisse

ao viajante sem cais para aportar.

 

Despida de palavras, vestida

de pétalas, és o último sonho

da ave quando se vê perdida.

 

Não tem fim a viagem que fazemos

nem princípio o céu em que te ponho.

Sabes o que sei, só eu sei o que sabemos.

 

 

Nuno Júdice, in Breve Sentimento do Eterno


música: You found me - The Fray

publicado por MB às 22:50
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Sábado, 30 de Janeiro de 2010
Pêndulo

“Do outro lado da barreira é mais fácil. Nem se nota tanto o frio, porque em gelo se vive. Um iglu de sombras que nos prendem os tornozelos como se fosse grilhões da memória a estancar o sangue. Nunca é fácil, eu sei, mas habituei-me à fácil dificuldade do frio. E, se no balanço dos carris voo pêndulo de saudades, gelo na distância de um lume ardendo baixinho na tua voz que sussurra para a minha alma do outro lado do som que o pêndulo não tarda em balançar. Se ao menos o pêndulo tivesse um único sentido e não oscilasse entre inverno e primavera… Era mais fácil o comodismo de não sentir. E morrer inerte, virgem de sentidos e de sabores. Jazer no cemitério onde, pela primeira vez, senti saudades tuas ao pé de ti. ‘Faz boa viagem’ e eu quis ficar; dar-te a mão e descer a rua contigo, com todos a olhar e a balançar no pêndulo. Não eu. Os outros. Era mais fácil se tivesses ignorado que eu me ia embora no dia a seguir. Nunca setembro foi tão quente na minha hipotermia. Nunca o tempo foi tão quente na minha hipotermia. É por isso que eu ando sempre de luvas, para guardar na minha pele o quente da tua mão. E enquanto o pêndulo dura o seu balanço ao pé de ti, dura o luar que me aquece. Como o de ontem. Que eu vi a subir a rua de mão dada contigo, com todos os outros a olhar e a balançar no pêndulo. És o ‘dá-me lume’ do Jorge Palma. Ontem… eu fui ver o jogo e tu ao teatro. A vida dá voltas. Uma história dramaticamente linda, disseste tu. Mandaste-me mensagem com a frase que te ditou a noite ‘amo-te mais do que apenas mais um dia.’

Troquei de roupa, enrosquei-me nos cobertores e fechei os olhos. Correram na tela da memória imagens que pensei ter apagado e outras que nunca tinha visto. O pêndulo levou-me ao iglu, fez-me voltar, fui inverno e primavera… Que o pêndulo continue a balançar, desde que continue a balançar para ti. Ontem não to disse, não vi a Eunice Muñoz a dizê-lo, nem sei qual foi o ano do pensamento mágico. Não sei se um dia chega.

Amo-te mais do que apenas mais uma vida.”

 


música: Here Comes the Sun - The Beatles

publicado por MB às 22:57
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010
?

hoje vou escrever directamente aqui sem rede no trapézio sem vírgulas nem pontos finais apetece-me só escrever sem banda sonora porque a minha vida já tem música de fundo a teclas de piano e a acordes de guitarra de pink floyd quero desligar os telemóveis por dois dias e fugir para dormir e descansar das regras que me obrigam a pôr pontuação num texto quando eu sinto sem regras e num fluir de rio em noites bravas de tempestade que rasga a encosta em duas partes sem pausa nem fim de período é hoje que toda a gente desiste de ler o meu blog quero desligar os telemóveis por dois dias e tê-lo comigo nesses dois dias para ver o nascer da lua os dois sentados no degrau de uma garagem e para ele me explicar como se vê as horas por ela prometo que desta vez fico atenta e não me prendo nos seus olhos quero desligar os telemóveis por dois dias e assim não ouvir os tais acordes do outro lado a gemer o desejo de ter aqui se o aqui for a ver o nascer da lua não volto a ligar os telemóveis

 

toca-me antes the cure porque está a chegar a sexta e eu estou in love



publicado por MB às 21:55
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Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009
Looking For Paradise

 

“-E tu? Qual é o balanço que fazes deste ano?

-Em Janeiro nasceu a Ritinha…

-Fevereiro?

-Hummm… tive umas férias!

-Março?

(…)

-Julho?

-Conheci-te…

 

Enquanto há vida, há esperança. O adágio é antigo, muito lugar-comum e até cliché. Mas 2009 provou-me que tanto quanto nos bate, a vida dá-nos segundas oportunidades. E terceiras… e tantas outras.

Se não for um ano predestinadamente em grande, terei 365 para ir à procura de um lugar melhor.

 

 

Um excelente ano novo para o mundo inteiro, para vidas paralelas, galáxias interiores, almas grandes demais para o corpo, corpos pequenos demais para o coração, para os que vão, para os ficam, para os que não chegam, para os lêem o IpsaEgo, para os que não lêem, para os que vêm aqui parar por engano, para as Tinas – que são elas próprias a convenção social -, para os que passaram o Natal e o Ano Novo a estudar Estudos da Recepção e Economia Política dos Media, enfim… Um excelente ano novo!

 

 


música: Looking For Paradise - Alicia Keys & Alejandro Sanz

publicado por MB às 14:21
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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Some Things

Este ano a grande atracção do Natal é mesmo o estudo. Mas nem tudo é, à primeira vista, tão infrutífero quanto pensamos. Estava eu a tentar perceber (e a muito custo, num esforço quase sobrenatural) um texto de Média e Cultura Contemporânea, quando me saltou uma frase no meio do emaranhado de letras: “The world cannot simply be, it must be some thing”. É o senhor Gary Krug quem o diz e eu ando há dois dias a pensar nisto.

Dois dias a pensar na mesma frase é muito tempo a pensar. Acho que no meio de tanta divagação (que não ajudou à rápida análise do texto) percebi que o Natal é mais ou menos isto. O Natal não pode simplesmente acontecer, tem que acontecer qualquer coisa dentro de nós também. Tem que ter a qualquer coisa que faz o Natal ser mais. E não interessa se é um cartão, um telefonema, uma mensagem, um abraço, um beijo ou um aperto de mão. Desde que seja qualquer coisa… Pode ser um bombom com recheio de magia ou uma rajada de vento frio para acordar a alma. E são tantos os “some thing” que temos à nossa volta… Ainda que sejam apenas um sopro quente no coração.

The Christmas cannot simply be, it must be some thing.

 

 

Um Feliz Natal a todos os que aparecem por cá. Que no sapatinho estejam à vossa espera muitos “some thing” para adoçar a vida!

 


música: Something About Christmas Time - Brian Adams


Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
A Moment Like This

Dos teus olhos dá para ver o mar. E eu estava com os meus fechados quando percebi isso.

“Já há música a contaminar as ruas. E quando desceu na estação sentiu que já devia ter vindo antes. Há aquela história muito bonita que toda a gente conta aos que passam por situações menos boas, que diz que temos que atravessar um deserto muito grande para depois sermos agradecidos quando encontramos água. Nunca ninguém acredita nisso. Há um ano atrás, descendo na mesma estação com a mesma música a contaminar as ruas, vindo-lhe essa história à memória pensou que era tolice pensar em semelhante coisa.

Já há coisas irritantes a piscar pela rua ao final da tarde. Mas a avenida está bonita neste final de dia cinzento. Mais do que algum dia já esteve. Não é pela música, nem pela luz. É pelo silêncio. Ou até pela luz pequenina de uma vela que vai ardendo na escuridão. E a avenida enfeita-se de cores por inventar. Hoje não é tolice nenhuma. Voltava para trás no deserto e percorria-o outra vez, se fosse preciso, para ver tanto mar. Quando desceu na estação nem lhe incomodou a música. Porque não a ouviu, ia a trautear uma outra, escrita com dedos de alma, ao sabor das sombras projectadas pela luz da vela, que tem o seu nome gravado na melodia.”

 

“I wanna know that you will catch me when I fall (…) Some people wait a lifetime for a moment like this…” (e eu que não gostava da música!)

 


música: A moment like this - Leona Lewis


Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Carta de Amor

«Algum dia eu haveria de entrar na normalidade dos que te amam. Amo-te.

 

E dói escrevê-lo (que é pior, meu amor, do que dizê-lo). Amo-te, absoluta, impossível e fatalmente. E ouço, adolescente, uma música adolescente, para me lembrar de ti, porque lembrar-me de ti é lembrar-me que não consigo esquecer-te.

 

E ouço música porque ouvimos música quando amamos, e tudo, no amor, é música, acústica da alma que se quer ser devorada, e, neste caso, dor (tão deliciosamente insuportável) de amar sem sequência nem expectativa de contrapartida, amar unicamente o puro objecto que desgraçadamente amamos.

 

Isto é uma carta de amor, e é possivelmente ridícula (prova maior de que é, realmente uma carta de amor), ou porque perdi o hábito de as escrever, ou porque nunca tive a coragem de as enviar.


Não percebes porque é que não te falo? Ainda não percebes que, na personagem que de mim eu enceno, não cabe a ameaça de uma derrota, a antecipação do desencanto, a sombra de um vexame? Não te falo, para não saber que o que eu te digo é apenas a forma contida de te dizer outra coisa, mas que essa coisa não é do teu mundo, nem do mundo que eu construí, nem do precário mundo que a nossa fragilíssima ternura mútua arquitectou. E tudo isto é literário, eu sei, mas – que queres?, a literatura é o melhor de mim e é o melhor de mim que vive dentro da minha cabeça quando estou contigo.


E depois, afastamo-nos. Beijo-te a correr, não sei se já reparaste, e quase fujo, porque sair do pé de ti é regressar ao que não és tu, o teu olhar e as tuas mãos, a tua alma e a tua voz, e isso, meu amor, transformou-se no insuportável intervalo entre dois encontros.


Esta carta de amor é um excesso (e isso prova superiormente que é uma carta de amor): eu amo não a ideia de amar-te (durante muito tempo, eu julguei que era apenas isso), mas a ideia de perder-me no meu amor por ti. E mesmo amar-te é um excesso, porque tudo aconselharia que eu me limitasse a mitificar-te, que é a melhor forma de evitarmos enfrentar a realidade.


Porque a realidade, aqui, é como uma dor difusa, tu sabes como é, um incómodo ainda não localizado, que progressivamente se vai definindo e acertando, até que, insuportavelmente nítida, a sua imagem se nos impõe como uma evidência.

 

A minha dor é que eu comecei a amar-te, sem o saber, durante aquele breve período de tempo em que sair de casa era a promessa reconfortante de ver-te e falar contigo. Eu não sabia, repito, mas o tempo ajudou-me a definir essa pequena dor, tão secretamente pavorosa: cada vez que estou contigo (cada vez mais, meu amor, cada vez mais) é como se a minha vida se virasse do avesso.

 

E é verdade, é cada vez mais verdade, que, quando penso nas coisas que ainda me falta fazer na vida, é em ti que penso. E tenho medo, como um animal que instintivamente foge do que sabe não poder atingir.


Eu penso em ti, ainda mais do que te digo, e tu estás em tudo, mesmo quando não te penso, tu és a grande razão, o horizonte sem nome que constantemente se desenha na minha imaginação de mim.


Há uns anos, este seria o momento de desmontar o discurso desta carta, de te mostrar os subtis mecanismos da alma e da máscara, de desdizer ironicamente o que já disse, de insinuar que, afinal, as-coisas-talvez-não-sejam-exactamente-assim. Mas as coisas são exactamente assim, e a carta, que poderia transformar-se num confortável exercício paródico, é, inevitavelmente, uma agonia e um embaraço.

 

Esta carta é um acto de puro egoísmo, que eu até talvez nem tivesse o direito de praticar. É-te incómoda, necessariamente, e isso bastaria para que eu me abstivesse de a enviar, dentro de um envelope azul. Mas o azul fica-te tão bem, e as cores todas ficam em ti como tu ficas no mundo: exactamente.


Mas, repito: esta carta é um acto de puro egoísmo, é como se não tivesse destinatário. E, no entanto, é preciso enviá-la, para que seja uma carta de amor, para que faça sentido como carta. Para que seja amor.

 

Mas podemos imaginar uma saída elegante: para que possas conservá-la como pura carta de amor, quero eu dizer, sem o embaraço de saberes que ela te foi escrita por alguém que não amas, não a assino. Dou-te tudo: até a hipótese de esta carta não ter sido escrita por mim.


(E não, esta carta não pode ter sido escrita por mim. És tu – em mim – que me faz escrever o que eu não escrevo. E isso é – de novo – o melhor de mim.)»

 

António Mega Ferreira

 

 

 

(P.S. – o Meu Pianista toca esta música muitíssimo melhor)

 


música: Maybe - Yiruma

publicado por MB às 19:39
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Domingo, 11 de Outubro de 2009
my funny valentine

 

 

 

Só porque na sexta o Sassetti tocou isto a uns metritos de mim... e o tempo parou.



publicado por MB às 18:25
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
AEu

Os Grandes Homens devem recordar-se com honras de heróis. Será sempre o Homem da minha vida.



publicado por MB às 22:47
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© Marta Barbosa 2007

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